Início Sobre Nós Missão Valores Estudos Contato

Um Exame Sincero do Coração

Três perguntas que todo cristão precisa se fazer e uma só resposta que importa no fim - 2 Coríntios 3:18

REFLEXÃO • ALEX BOGAGIO • PASTOR CJCC

Um Exame Sincero do Coração

De vez em quando, a vida cristã exige que paremos — não para nos condenar, mas para verificar se estamos crescendo na direção que o evangelho nos aponta

Vivemos em ritmo acelerado. Cultos, compromissos, família, trabalho, ministério; a semana passa e raramente paramos para fazer aquilo que a Palavra de Deus tanto enfatiza: examinar o próprio coração. Não com os olhos da autocondenação, mas com os olhos da honestidade diante de Deus.

Paulo escreveu aos coríntios: "Examinai-vos a vós mesmos, para verificar se estais na fé" (2 Co 13.5). Não como um exercício de angústia espiritual, mas como um ato de cuidado com a alma. A mesma atenção que damos à saúde do corpo deveria ser dada à saúde interior.

Um cristão que nunca para para se examinar é como um viajante que nunca olha o mapa. Pode estar avançando com muita energia, porem na direção errada.

Com esse espírito, proponho três perguntas. Não para produzir culpa, mas para abrir espaço para o Espírito Santo trabalhar.

Perguntas que merecem uma resposta honesta

1

Estou me tornando mais parecido com Cristo?

As pessoas ao meu redor percebem mais humildade, paciência, amor e misericórdia em minha vida hoje do que há alguns anos? Ou continuo reagindo da mesma forma diante das mesmas situações, alimentando os mesmos pecados e justificando as mesmas atitudes com os mesmos argumentos de sempre? O crescimento espiritual não precisa ser dramático, mas precisa ser real. Onde há vida, há movimento.

2

Estou lutando contra o pecado ou me acostumando com ele?

Todo cristão enfrenta batalhas espirituais. A questão não é se ainda pecamos, todos pecamos (1 Jo 1.8). A questão é como reagimos quando pecamos. Há arrependimento genuíno? Há confissão? Há um desejo sincero de mudança que vai além das palavras? Ou simplesmente aprendemos a conviver com pecados que Deus nos chama a abandonar, domesticando o que deveria nos incomodar?

3

Minha confiança está em Cristo ou em mim mesmo?

Muitas vezes, sem perceber, passamos a medir nosso relacionamento com Deus pelo nosso desempenho espiritual. Quando oramos mais, sentimos que Deus nos aceita. Quando falhamos, imaginamos que Ele nos rejeita. Mas essa lógica não é evangelho, é religião. Nossa segurança não está em nossas obras. Está na obra perfeita de Cristo na cruz, que não oscila conforme a qualidade da nossa semana.

O que podemos encontrar nesse exame

Ao responder essas perguntas com honestidade, é possível que encontremos coisas que não esperávamos ver. Orgulho que nunca foi confrontado. Pecados escondidos que continuam roubando sua comunhão com Deus. Uma consciência cansada por tentar carregar um peso que Cristo já levou. Relacionamentos com feridas abertas que você decidiu simplesmente não olhar.

Isso não é motivo de desespero, é motivo de atenção. A dor espiritual, assim como a dor física, existe para nos dizer que algo precisa de cuidado.

Se você encontrou algo que precisa de atenção, a solução não é se esforçar mais.
Não é fazer promessas grandiosas, nem tentar compensar falhas com mais atividades religiosas.

A resposta é a mesma que sempre foi: volte para a cruz.

Voltemos para a cruz

A cruz não é apenas o ponto de partida da vida cristã. É o centro permanente dela. Voltamos à cruz não porque falhamos demais, mas porque é ali que encontramos tudo o que precisamos, todos os dias, em todas as estações da vida.

O que encontramos na cruz

"Está consumado." — João 19.30

Na cruz, encontramos perdão para os nossos fracassos, não porque merecemos, mas porque Cristo pagou o que não poderíamos pagar.

Na cruz, encontramos força para continuar lutando, porque o mesmo Cristo que morreu por nós intercede agora por nós à direita do Pai.

Na cruz, encontramos descanso para uma alma cansada, porque é ali que lembramos que somos aceitos por Deus não pelo que conseguimos fazer, mas pelo que Jesus fez por nós.

Quando o evangelho volta a ocupar o centro da nossa vida, não apenas como doutrina que conhecemos, mas como realidade que nos sustenta, algo se move. Encontramos coragem para confessar o que havíamos escondido. Encontramos esperança para recomeçar onde havíamos desistido. Encontramos confiança para seguir em frente sem precisar fingir que estamos bem quando não estamos.

"Porque, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro."

Filipenses 1.21 — o horizonte de uma vida centrada no evangelho

A vida cristã não é uma corrida de velocidade em que os mais disciplinados vencem. É uma jornada longa, às vezes árdua, percorrida por pessoas frágeis que aprenderam a depender de uma graça que não falha. Crescer à imagem de Cristo, lutar contra o pecado e descansar na suficiência da Sua graça, essa é uma obra que dura a vida inteira.

E a boa notícia é que Aquele que começou essa obra em você é fiel para completá-la (Fp 1.6).

Se o Espírito está mostrando hoje que algo precisa mudar,
não endureça o coração. Volte para a cruz.
Ela ainda é suficiente.

Alex Bogagio

Pastor CJCC

← Voltar para Estudos