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Congregar É Mais Importante do que Imaginamos

Como Deus usa a comunhão da igreja para fortalecer a nossa fé em meio à batalha espiritual

REFLEXÃO PASTORAL • ALEX BOGAGIO • PASTOR CJCC

Congregar É Mais Importante do que Imaginamos

Por que ir à igreja toda semana não é um hábito religioso, é um ato de resistência espiritual

Há uma guerra acontecendo em sua vida. Não estou falando dos conflitos do trabalho, das tensões familiares ou dos próprios pecados que você enfrenta. Estou falando de uma batalha muito mais ampla e muito mais antiga:

"Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais."

Efésios 6.12

Satanás trava uma guerra contra a nossa fé. Seu objetivo não é nos assustar, é nos enfraquecer. E uma das maneiras pelas quais Deus nos sustenta nessa batalha é algo que muitas vezes subestimamos: a reunião semanal da igreja.

A manhã de domingo é um campo de batalha espiritual. Os ataques do inimigo têm como objetivo enfraquecer a fé. O propósito de Deus na reunião da igreja é exatamente o oposto: edificar a fé e edificar uns aos outros.

Reunir-se com o rebanho é como se preparar para uma guerra. A liturgia do culto, a leitura da Palavra, a oração, o cântico, a pregação, a Ceia, é o plano de batalha dado pelo Senhor dos Exércitos. E o mandamento de Hebreus 10.24-25 de "não abandonar a nossa congregação" não é um convite opcional. É uma instrução de sobrevivência espiritual.

Por que o inimigo quer nos manter longe

Se congregar é tão simples quanto aparecer no domingo, por que tantos cristãos batalham tanto para estar presentes? Porque Satanás sabe que a adoração coletiva nos fortalece e ele se esforça para nos manter afastados dela.

Assim como Davi caiu em pecado quando ficou em Jerusalém enquanto seus soldados foram à guerra (2 Sm 11.1-2), também nos tornamos vulneráveis quando ficamos para trás na adoração coletiva. O isolamento não é inócuo. Ele nos expõe.

Paulo escreveu que não devemos ignorar as artimanhas do inimigo (2 Co 2.11). Aqui estão quatro das mais comuns que nos afastam da congregação e que precisamos aprender a reconhecer.

AS ARTIMANHAS
O que nos mantém longe da congregação

1

Distração

O maligno não precisa nos afastar da igreja com perseguição. Basta nos oferecer alternativas mais confortáveis. Uma casa à beira do lago no fim de semana. O jogo do filho no domingo de manhã. A liberdade de ouvir o sermão favorito no celular, na velocidade que quiser, sem precisar cantar músicas de que não gosta nem responder perguntas que incomodam.

Esse isolamento parece inofensivo, mas alimenta uma religião centrada em nós mesmos, onde Deus é consumido nos nossos próprios termos, sem a fricção necessária da comunidade real. E a fricção da comunidade real é exatamente o que nos forma.

"A que caiu entre os espinhos são os que ouviram, mas, seguindo o seu caminho, são sufocados pelas preocupações, riquezas e prazeres da vida, e os seus frutos não chegam a amadurecer." — Lucas 8.14

A conveniência e o conforto frequentemente representam perigos maiores para a alma do que a perseguição. Pelo menos a perseguição nos faz perceber que estamos em guerra.

2

Desânimo

Se a distração já fez muitas vítimas, o desânimo fez mais ainda. E as razões para desanimar são numerosas e muito reais.

Talvez você já tenha passado uma manhã inteira numa igreja onde ninguém percebeu sua presença. O isolamento dentro de um lugar cheio de pessoas é uma das formas mais dolorosas de solidão. E Satanás rapidamente sussurra: "Se as pessoas nem te percebem, quanto menos Deus te percebe."

Talvez concessões ao pecado tenham deixado você paralisado pela culpa. Levantar-se para ir à igreja exigiria uma força que o pecado parece ter consumido. Talvez você esteja enfrentando uma escuridão que não consegue explicar, nuvens de depressão que bloqueiam a luz do domingo pela manhã.

"Já basta, Senhor; tira a minha vida." — Elias, 1 Reis 19.4

Às vezes parece impossível atravessar o desânimo. Mas é exatamente nesses momentos que a congregação se torna mais necessária, não porque resolverá tudo de imediato, mas porque a luz de Cristo, refletida no povo de Cristo, continua nos conduzindo mesmo quando não conseguimos ver direito.

3

Divisão

Jesus se alegra com a unidade da igreja. Satanás trabalha para destruí-la e é um artista nisso. Ele não precisa de grandes escândalos. Basta alimentar uma suspeita aqui, uma comparação ali, uma mensagem de texto enviada no momento errado, uma suposição que nunca foi verificada.

Rachaduras pequenas nos relacionamentos raramente permanecem pequenas. O adversário as alarga pacientemente, até que o amor entre os crentes esfrie e o que era comunhão vire apenas coexistência.

"Não deixeis lugar ao diabo." — Efésios 4.27

Antes de assumir que sabe o que alguém pensa de você, converse. Antes de publicar algo impulsivamente ou de alimentar uma suposição distorcida, lembre-se: o inimigo é oportunista. Ele entra pelas portas que abrimos sem perceber.

4

Incredulidade

Desde o princípio, a estratégia de Satanás é corroer a confiança na Palavra de Deus. "Foi isso mesmo que Deus disse?" (Gn 3.1). A pergunta mais antiga da história continua sendo repetida nas redes sociais, nas filosofias contemporâneas, nas falsas doutrinas que entram pela porta dos fundos das congregações.

Quando o engano doutrinário não funciona, o inimigo tenta endurecer o coração para a voz de Deus. O autor de Hebreus chama isso de se tornar "tardio em ouvir", um endurecimento gradual, quase imperceptível, que aconteceu até com pessoas que antes eram fiéis.

"Hoje, se ouvirem a sua voz, não endureçam o coração." — Hebreus 3.7-8

A congregação semanal nos ancora. Cada vez que nos reunimos para orar, cantar, ouvir a Palavra e celebrar a Ceia, nosso coração é reorientado para a esperança de Cristo, exatamente o que o inimigo não quer que aconteça.

AÇÃO
Como proteger o ato de congregar-se

Reconhecer as artimanhas do inimigo já é metade da batalha. A outra metade é ser intencional. Congregar-se não acontece por acidente, especialmente numa cultura que oferece infinitas alternativas mais confortáveis. Aqui estão quatro atitudes práticas que podem fazer diferença toda semana:

Busque Jesus todos os dias

A adoração coletiva é alimentada pela adoração pessoal e vice-versa. Quem busca Jesus diariamente chega ao domingo com o coração preparado. Quem só o encontra aos domingos chega com o tanque vazio.

Planeje congregar-se

Faça da reunião da igreja o acontecimento em torno do qual o restante da sua semana é organizado, não uma opção que entra no calendário se sobrar espaço. Proteja esse compromisso como protegeria qualquer outra prioridade real.

Prepare-se para o culto

Leia durante a semana o texto do devocional. Ouça as músicas bíblicas. Esses pequenos atos de preparação não são pietismo, são treinamento antes da batalha. Você chegará diferente.

Caminhe ao lado de outros

Cerque-se de pessoas que o amem o suficiente para ajudá-lo a prestar contas de sua vida. Compartilhe as tentações que enfrenta. Peça ajuda para resistir. Somos frágeis demais para lutar essa batalha sozinhos e Deus nunca pretendeu que o fizéssemos.

"Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão se cumprindo entre os irmãos de vocês espalhados pelo mundo."

1 Pedro 5.9

A adoração valerá a pena

Satanás, o mundo e a nossa própria carne podem nos apresentar inúmeras razões para não nos reunirmos com a igreja num determinado domingo. Alguns motivos serão legítimos. Outros serão apenas convincentes.

Mas o Deus Todo-Poderoso nos chama a crer que valerá a pena. Na congregação, somos lembrados de como Jesus é precioso. Cada elemento do culto, a Palavra lida, o hino cantado, a oração, a pregação, a Ceia; direciona os olhos do nosso coração para contemplar Cristo e crer nEle novamente.

É exatamente isso que Satanás não quer que aconteça. Seu objetivo é nos afastar da fé e negligenciar a congregação é uma das estratégias que ele usa com mais eficiência, justamente porque parece inofensiva.

Reunir-nos com a igreja é um ato de fé que resiste ao diabo.
É contemplar um pouco da glória de Jesus.
É lembrar, mais uma vez, que não estamos sozinhos nessa batalha.

"O Deus da paz em breve esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês." — Romanos 16.20

O que tem impedido você de estar presente
com o povo de Deus?
Talvez valha a pena nomear isso e resistir a isso.

Alex Bogagio

Pastor CJCC

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